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domingo, 3 de outubro de 2010

Água de Colónia [II]


Moçambique, 1971. O Tempo dava destaque ao desporto automóvel e ao Rali do Banco. João Botequilha inscreveu-se com um Skoda de estrada, «completamente normal», mas as qualidades de piloto e máquina permitiam ambicionar por um lugar no top 3. Infelizmente não sabemos como terá corrido a prova e qual terá sido a classificação final do carro da Coral. Uma notícia com o patrocínio da Shell.

"Coral: tudo normal...
O Skoda de João Botequilha encontra-se nas oficinas da Coral, e é Serra que nos dá algumas opiniões acerca do [que] irá ser o Rali do Banco.
«O carro vao completamente normal e se Botequilha chegar ao fim, acho que nunca ficará além dum 3º lugar na geral, pois o João é um bom corredor e o carro está em ordem.»"

[recorte de imprensa: in Tempo, 1971, Moçambique]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Água de Colónia[s]

Sempre tivemos fascínio por conhecer a história da Skoda nos PALOP, sobretudo nas ex-Colónias. É por exemplo sabido que a esmagadora maioria de pessoas que teve a oportunidade de viver África relata essa experiência indelével com particular saudade e nostalgia e, certamente, nas tertúlias familiares de quem lá esteve, circulam ainda muitas memórias timbradas com o selo da Seta Alada.

Por isso, caro leitor, se viveu em África [ou sabe de quem tenha vivido] e experimentou o sabor da aventura a bordo de um Skoda, não deixe de nos brindar com o seu testemunho. Fotos, imagens, textos de época, material promocional, estórias e pontas de história serão para nós recebidas como verdadeiros diamantes africanos - tudo nos interessa, afim de desbravarmos o trilho de uma história que corre sérios riscos de desaparecer se não se registarem já os testemunhos vivos dos seus verdadeiros intervenientes.

Já aqui deixámos um ou outro apontamento desse território infindável de recordações. Mas para irmos mais longe temos que dar o passo seguinte, o qual só pode ser dado com a inestimável ajuda dos nossos leitores. Faça parte da história, perfumando-se com a suave fragância da nossa «Água de Colónia[s]».
***
A primeira edição desta rúbrica vem timbrada com uma imagem de Lourenço Marques - hoje Maputo - onde um Skoda Octavia pontua entre dois Opel de avantajadas dimensões - um Kapitan dos anos 50 e um Kapitan P-LV da década seguinte, estacionados em frente ao já desaparecido Cinema Varietá.  

[foto: autor desconhecido]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Skoda Intercontinental

Numa deambulação pela net encontra-se muita coisa. Muito 'lixo', de quando em quando brindado com uma ou outra preciosidade. São essas pérolas que gostamos de trazer para o semlimites.

Em 5 de Agosto de 2008, João Paulo Santos redigiu no seu blogue a deliciosa estória que aqui hoje transcrevemos na íntegra, à qual deu o nome de «O 1000MB». Já passaram dois anos. E agora, o que será feito do magnífico carro do seu Avô? João, se ler este 'seu' post, não deixe de nos contar as 'cenas dos próximos capítulos'.

«Ando há uns meses obcecado com a ideia de reaver o automóvel da vida do meu avô. Trata-se de um Skoda 1000MB de 1965, que está há mais de 10 anos numa oficina de bate-chapas para ser reparado, tendo ali ficado até hoje num relativo esquecimento.

O ZE-30-65 circulou durante 30 anos, fez imensas viagens em 2 continentes diferentes e ficará para todo o sempre nas minhas boas memórias.

Está de tal maneira presente em mim que ainda consigo lembrar-me do cheiro característico que dos seus estofos emanava.

Foi comprado em Moçambique/Lourenço Marques (Maputo) e por lá andou até 1976, altura em que o meu pai o conseguiu enviar para Portugal onde já estavam os meus avós regressados um ano antes e eu acabadinho de chegar. Dentro de uma das grelhas laterais veio escondido algo, um bem (não me consigo lembrar do que seria) que não era permitido trazer da ex-colónia mas que escondido lá passou.

As viagens mais marcantes que fiz neste carro foram as longas idas de Anadia até Lisboa para ir buscar a minha mãe ou o meu pai ao aeroporto da Portela, vindos de Moçambique para umas férias na ex-metrópole. Eram viagens de 7 a 8 horas de duração.

Marcantes foram também as viagens (mais curtas) até à praia da Barra, em Aveiro.

Um pequeno e inocente vício na ternura dos meus 4 anos de idade era simplesmente isto... virava-me sempre para trás... ajoelhava-me no banco traseiro (em 1976 cintos de segurança nem nos bancos da frente eram obrigatórios) e observava tudo o que ia ficando.

Entretanto, desde esse tempo, 3 décadas "voaram", o meu avô já não está entre nós e este vazio será simbolicamente minimizado com o nosso Skoda.

Pedem-me 1500€ pelo trabalho que foi feito e se juntarmos o tempo que esteve parado na oficina até que pode ser um valor justo, não o questiono, apenas não quero pagar tanto e assim lá ando numa negociação que já dura desde há uns meses numa tentativa de o baixar. E não é que começa a dar os seus frutos.

No último telefonema lá consegui arrancar "então homem? afinal quanto é que pode pagar?" - recusei responder dizendo-lhe que os 1.500€ é que não podia ser e que ele descesse ao máximo possível que ia levantar o carro.

Ficou de falar com o filho... fiquei de ligar ontem... ligarei apenas na quarta-feira.»


[foto: catálogo de época]

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Recordações de Moçambique

Do leitor Virgílio Santos recebemos um fantástico e-mail que transcrevemos abaixo. Porque a história da Skoda faz-se de muitas estórias como esta. Porém, esta tem a particularidade e o gostoso sabor de relatar uma aventura vivida em África. Obrigado Virgílio!

«Princípios dos anos 70. Eu, junto do Octavia amarelo MBA-25-67 (Registo da cidade da Beira) com volante à direita, claro. Foto tirada na madrugada de 30.12.1972, cerca das 05,30 da manhã. Ao fundo, a ponte sobre o Rio Save, na EN 1 em Moçambique. Viagem da Beira a Lourenço Marques, para o fim de ano. Quase no destino, só faltavam cerca de 1.000 km. Loucuras da juventude, 4 dias e 3.000 km no corpo e no Skoda. Mas tudo bem, muita gasolina queimada, dois furos e 2 pneus rebentados no alcatrão escaldante e o resto é história. GRANDE SKODA.» Virgílio Santos

Veja aqui a ponte sobre o Rio Save

[foto do arquivo de Virgílio Santos]